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Criada a partir de um projeto piloto de extensão universitária, uma nova disciplina optativa eletiva para alunos da FMUSP está fazendo sucesso também em outras unidades da USP. O projeto Kids Save Lives, transformado na disciplina MST4070, é optativa livre para alunos de outros cursos e já recebeu mais de 100 inscritos na primeira interação de matrículas.

Segundo a Profa. Dra. Naomi Kondo Nakagawa, do Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da FMUSP e coordenadora do Projeto Kids Save Lives Brasil, os estudantes buscam essa vivência pelo contato multidisciplinar e pela possibilidade de aplicar conhecimentos de atendimento de urgência da área médica.

A atividade de encerramento de semestre, ainda cumprida como extensão universitária, aconteceu na escola Josafá Tito Figueiredo da rede pública do município de Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 6 de dezembro. A ação consistiu num treinamento sobre procedimentos em casos de parada cardíaca súbita, além de noções básicas de como identificar sinais e sintomas de acidente vascular cerebral (AVC) agudo.

O treinamento oferecido para crianças a partir de 9 anos de idade e os familiares participantes foi dado por outras crianças e voluntários que já haviam recebido o treinamento no Laboratório de Habilidades da FMUSP, entre fevereiro e maio de 2018. Além das 30 crianças treinadas para iniciar outras crianças nos conhecimentos de urgência médica, a ação contou com a participação de funcionários, pesquisadores e alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, segundo Naomi. Outro treinamento foi realizado na FMUSP com a participação de diversos professores da USP, em novembro último.

A atividade segue o protocolo de urgência médica para os primeiros socorros até a chegada de ajuda e foi feito com manequins de baixo custo, confeccionado com camisetas, jornais e garrafas PET de 2 litros, criados pelos estudantes da medicina.

“A importância de envolver crianças é que 60% das ocorrências domiciliares acontecem com a presença delas. É um aprendizado de cidadão com efeito multiplicador, que será levado para a vida toda”, diz Naomi.

Segundo Mikhael Belkovsky, do 3º ano de Medicina, aluno bolsista e um dos que deu treinamento no projeto, há vários tipos de atendimento para AVC, que dependem de quanto tempo passou desde que a pessoa foi vista bem antes do acidente. “As terapias mais tardias são menos eficazes. Daí a importância de o tratamento iniciar o quanto antes. Mas para isso, a família precisa saber que se trata de urgência”. 

A disciplina terá coordenação da Profa. Naomi e dos professores Marcelo Calderaro, Maria José Carmona, Heraldo Possolo, Eduardo Vieira Motta, Ludhmila Abrahão Hajjar e Pedro Wellington.