O Centro Integrado de Atividades Acadêmicas em Cuidados Paliativos, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), realizou, no dia 22, seu primeiro evento científico. O encontro reuniu cerca de 50 participantes, entre docentes, pesquisadores e estudantes da FMUSP, da Escola de Enfermagem, da Faculdade de Direito e da Faculdade de Saúde Pública, com o objetivo de aproximar diferentes áreas do conhecimento em torno do tema e ampliar as possibilidades de atuação conjunta.
A proposta de criação do Centro surgiu a partir de um convite da Diretoria da FMUSP e foi, posteriormente, deliberada pelas congregações das quatro unidades, que indicaram departamentos e docentes para participar de suas atividades.
A primeira parte do evento abordou o conceito de sofrimento intenso relacionado à saúde e a necessidade de ampliar a oferta de cuidado paliativo. Na segunda, foram apresentadas propostas de pesquisa em áreas como políticas públicas, reabilitação, controle da dor, tecnologia assistiva, inteligência artificial, telessaúde, comunicação, ética, direito e pediatria.
“O Centro Integrado de Atividades Acadêmicas em Cuidado Paliativo é uma iniciativa que procura integrar conhecimentos das diferentes áreas envolvidas nessa temática, que é transversal e envolve não só profissionais de saúde, mas também a sociedade e gestores públicos”, afirma o Prof. Dr. Ricardo Tavares de Carvalho, diretor executivo do Centro.
Projetos e próximos passos
Entre os projetos destacados está um laboratório voltado à comunicação e às habilidades relacionais, que utiliza o cuidado paliativo como base para o desenvolvimento dessas competências, e uma iniciativa envolvendo Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional.
Outra proposta prevê atividades integradas de ensino na graduação e na pós-graduação, reunindo estudantes e profissionais de Medicina, Enfermagem, Direito e Saúde Pública. A expectativa é iniciar essa formação conjunta em 2027.
As atividades também estão relacionadas a um projeto aprovado pela FAPESP como Centro de Ciência e Desenvolvimento, com duração de cinco anos e liderança do Hospital das Clínicas e da FMUSP. A iniciativa articula diferentes eixos de pesquisa com o objetivo de desenvolver modelos que contribuam para a implementação do cuidado paliativo na rede de saúde e para o desenvolvimento de políticas públicas na área.
Como próximos passos, o Centro mantém uma agenda bimensal de reuniões entre as lideranças das quatro unidades para discutir ações estratégicas. Também foi constituído um grupo de pesquisa que reúne estudantes, professores e orientadores, da iniciação científica ao pós-doutorado, para discutir projetos em andamento e novas propostas. A perspectiva é ampliar, até o início de 2027, a participação de universidades e centros internacionais dedicados à produção de conhecimento em cuidado paliativo.
De acordo com a Profa. Dra. Iolanda Tibério, presidente do Centro Integrado de Cuidados Paliativos e da Comissão de Graduação da FMUSP, e o Prof. Dr. Ricardo Tavares de Carvalho, a aproximação entre diferentes áreas é fundamental para o desenvolvimento do ensino em saúde, especialmente em temas que exigem uma abordagem multiprofissional, como o cuidado paliativo. “Esta articulação contribui para uma atuação mais integrada e alinhada às necessidades dos pacientes”.