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Novo protocolo de pesquisa reduz a fragmentação médica e otimiza o estudo da doença

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) descreve a implementação de um modelo interdisciplinar inédito de acompanhamento de pacientes pós-COVID no Brasil, reunindo 22 grupos de pesquisa de 15 especialidades diferentes para investigar os impactos de longo prazo da doença em múltiplos órgãos e sistemas. 

A pesquisa parte do dado de que 83% dos pacientes internados por COVID-19 no HCFMUSP continuavam a apresentar ao menos um sintoma persistente entre 6 e 11 meses após a alta hospitalar. Fadiga, tontura, dores no corpo e falta de ar foram as queixas mais frequentes entre os participantes. 

Dos 749 sobreviventes da COVID-19 moderada ou grave atendidos no HCFMUSP, 618 relataram sintomas persistentes meses após a infecção. Cerca de 45% afirmaram conviver com mais de cinco sintomas simultaneamente, enquanto apenas 9% disseram não apresentar qualquer sintoma pós-COVID. 

Modelo inovador 

Publicado na revista Clinics, o modelo desenvolvido pela FMUSP permitiu que os pacientes realizassem uma bateria abrangente de exames – incluindo tomografias, ecocardiogramas, testes cardiopulmonares, avaliações cognitivas, psiquiátricas, musculares e pulmonares – em apenas dois dias de visitas presenciais. Ao todo, a equipe realizou aproximadamente 11.000 exames. 

Segundo Laura Sampaio de Moura Azevedo, doutoranda da FMUSP e primeira autora do artigo, a integração entre diferentes especialidades foi fundamental para reduzir procedimentos desnecessários, otimizar recursos e diminuir o desgaste físico dos participantes. A coordenação entre as equipes permitiu, por exemplo, que exames de interesse comum entre diferentes áreas fossem concentrados em uma única avaliação. 

Integração de disciplinas 

O estudo amplia o conhecimento sobre a chamada "COVID longa" e propõe um modelo de pesquisa e assistência capaz de aprimorar o acompanhamento de pacientes com doenças complexas e multissistêmicas, contribuindo também para fortalecer a preparação diante de futuras emergências sanitárias. 

"A abordagem interdisciplinar possibilita uma avaliação integral e sistêmica dos participantes, além de aumentar o engajamento dos pacientes, reduzir a fragmentação do cuidado e favorecer a realização de pesquisas mais eficientes e de alta qualidade em estudos complexos envolvendo seres humanos", afirma a doutoranda. 

O projeto foi coordenado por Carlos Roberto Ribeiro Carvalho, professor titular de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e um dos autores do artigo, e envolveu mais de 100 profissionais, entre pesquisadores, estudantes e equipes administrativas. A iniciativa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e apoio da sociedade civil, por meio de doação gerida pela Fundação Faculdade de Medicina. 

O estudo completo está disponível na revista Clinics.

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